MDA realiza oficina de Conectividade e Inclusão Digital para a Agricultura Familiar com enfoque nos Territórios da Cidadania
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Em cooperação com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e com o Grupo de Estudos em Políticas Públicas da USP-ESALQ, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) reuniu representantes do governo, da academia e das organizações da sociedade civil para discutir desafios e oportunidades na ampliação do acesso à conectividade e aos serviços digitais para a agricultura familiar brasileira.
Entre os resultados do estudo está a constatação de que 4 milhões de domicílios da agricultura familiar e pequenos agricultores (41% deste público) ainda não são atendidos com sinal 4G. Do total de domicílios da agricultura familiar e pequenos sem conectividade, 37% estão na região Nordeste, 22% na região Sudeste, 17% estão concentrados na região Norte, 16% na região Sul e 8% na região Centro-Oeste. O estudo mostrou ainda que seriam necessários R$ 86,2 bilhões de reais para ampliar a conectividade para 11,8% dos domicílios brasileiros (12,6 milhões), sendo 5,7 milhões de agricultores familiares e pequenos produtores.

O Secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental, Moisés Savian, destacou a importância da agenda para o acesso a conectividade. “O estudo apresentado demonstra que mais de 80% da população urbana tem acesso à internet enquanto apenas uma de cada quatro pessoas do campo tem acesso à internet de qualidade. Falar em conectividade é falar de acesso à informação, à política pública, ao conhecimento. Então, acessar a internet no campo, nas águas e nas florestas é acesso à cidadania.", ressaltou.
Para Gabriel Delgado, representante do Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA) no Brasil, “a conectividade rural precisa ser pensada de forma integrada às políticas de desenvolvimento territorial, à extensão rural, à educação e à inovação”. Não por acaso, o estudo utiliza os Territórios da Cidadania do MDA como metodologia para classificar as regiões, assim como entender as particularidades de cada local, seus desafios e potenciais.
Integração e conectividade
O pesquisador e coordenador executivo do Grupo de Políticas Públicas da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ), Rodrigo Maule, ressaltou como a conectividade dialoga com a tendência de digitalização de serviços públicos e outras facilidades que garantem a permanência do agricultor no campo. O estudo propõe, então, dois tipos de classificação territorial: os “Territórios Digitais”, onde mais de 75% dos agricultores familiares e pequenos produtores já possuem sinal 4G de alta qualidade. No outro extremo estão os chamados “Desertos Digitais”, onde 1,85 milhões de domicílios da agricultura familiar e pequenos não possuem nenhuma cobertura.
No evento foi apontado que a conectividade é uma ferramenta de gestão e proteção do território para que as populações possam continuar vivendo onde escolheram estar, com acesso a direitos, saúde e educação, sem precisar abandonar suas raízes. As lacunas a serem superadas para ampliar a cobertura incluem a expansão da infraestrutura do 4G, além de outras soluções combinadas. O estudo vai subsidiar o MDA na definição de prioridades para ampliar a conectividade nos Territórios da Cidadania, com o objetivo de apoiar políticas públicas voltadas à inclusão digital.
Marcelo Saldanha, presidente do Instituto Bem-Estar Brasil (IBEBrasil), destacou que “o Plano Nacional de Inclusão Digital (PNID) precisa ser construído de baixo para cima, garantindo que o Estado não apenas leve a infraestrutura, mas fomente a autonomia das comunidades para gerirem suas próprias redes e decidirem como a tecnologia deve servir ao seu desenvolvimento local”, explica ele.
Campo digitalizado
O evento também lançou o livro Comunicação e Digitalização nos Territórios Rurais em parceria com o IICA e a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ). O objetivo foi realizar um grande diagnóstico sobre a conectividade rural, além de apontar quais ações e recursos devem ser investidos na área para aumentar esse acesso.
Entre as ações potenciais para a digitalização de serviços públicos voltados aos agricultores estão o Meu Imóvel Rural, Minha Ater Digital, Semear Digital e o Observatório Virtual da ATER. Longe de substituir o contato humano, essas ferramentas vêm para potencializar a assistência técnica, garantindo que a informação de qualidade chegue à palma da mão do produtor e facilite sua regularização e produtividade no campo.
A diretora de Desenvolvimento Territorial e Socioambiental, Ana Elsa Munarini, ressaltou que “quando falamos em levar tecnologia para o campo, estamos falando em garantir que as famílias agricultoras tenham o mesmo direito à informação e à agilidade que qualquer cidadão urbano, mas com respeito às suas tradições e ao seu modo de vida”. Ela explica que o grande desafio é a integração rural. "É por isso que a abordagem territorial é tão importante, porque ela busca soluções coletivas de ponta a ponta para as famílias”, completa ela.
Texto e foto: Jerônimo Calorio, Ascom SFDT/MDA
Publicado originalmente em gov.br





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